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Empréstimo empresarial: como separar principal, juros e tarifas

Confira o crédito líquido, a composição das parcelas e o saldo do empréstimo. Veja quais documentos enviar ao contador, com um exemplo de cálculo.

Mãos organizam três grupos de documentos com marcadores azuis, ao lado de uma caneta e de uma calculadora.

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Para conferir um empréstimo empresarial, relacione o contrato ao crédito no banco e separe, em cada parcela, a amortização do principal, os juros e os demais encargos. O valor depositado pode ser menor que o principal contratado por causa de retenções na liberação. Envie ao contador o contrato, o demonstrativo da liberação, o cronograma da dívida, a composição das parcelas e os comprovantes. O extrato, sozinho, não explica essas diferenças.

Identifique qual valor cada documento apresenta

O principal contratado, o dinheiro creditado e a soma das parcelas respondem a perguntas diferentes. O principal indica o valor-base da dívida nas condições do contrato. O crédito líquido mostra quanto entrou na conta. As parcelas podem incluir amortização, juros e outros encargos. Preserve essas identificações no controle financeiro para conseguir explicar os saldos.

A entrada de um empréstimo não é uma venda, e o pagamento integral da parcela não representa apenas uma despesa de juros. A equipe contábil precisa conhecer a operação para definir os registros. A ITG 2000 (R1), do Conselho Federal de Contabilidade, exige documentação ou outros elementos que comprovem os fatos e permitam relacioná-los à escrituração.

Reúna os documentos de um mesmo contrato

Use um identificador para cada empréstimo, mesmo quando a empresa tem vários contratos no mesmo banco. O checklist abaixo é uma proposta de organização das evidências, não uma lista obrigatória reproduzida da norma. Confira se o material pertence à empresa e à operação analisadas.

  • Contrato assinado e aditivos, com valor, datas, condições de pagamento, garantias e eventuais períodos de carência.
  • Demonstrativo da liberação, com o principal e a identificação de cada valor retido ou financiado, como tributo, tarifa ou seguro, quando houver.
  • Extrato que mostre a entrada dos recursos, a data efetiva e a conta de destino.
  • Cronograma de amortização e demonstrativos das parcelas, com separação entre principal, juros e demais encargos.
  • Comprovantes das parcelas pagas e extratos dos débitos correspondentes.
  • Relatório do saldo por contrato na data do fechamento, com indicação do que esse saldo inclui.
  • Documentos de renegociação, quitação antecipada ou alteração de condições, se ocorrerem.

Referência: CFC: ITG 2000 (R1), Escrituração Contábil, itens 5 a 8 e 26

Leia também: Fechamento contábil mensal: documentos, conciliações e checklist

Explique a diferença entre o principal e o depósito

Considere um exemplo hipotético: o contrato indica principal de R$ 100.000. Na liberação, o banco retém R$ 1.600 de IOF e R$ 400 de tarifa, conforme o demonstrativo. Os encargos são descontados dos recursos liberados e não adicionados ao principal neste exemplo. O crédito líquido esperado é R$ 100.000 menos R$ 1.600 menos R$ 400, igual a R$ 98.000.

Se o extrato confirmar R$ 98.000, a entrada tem explicação. O controle deve conservar os R$ 100.000 do principal contratual e os R$ 2.000 de retenções identificadas. Não reduza o principal para R$ 98.000 apenas para igualá-lo ao banco. Se o demonstrativo não explicar a diferença, solicite o detalhamento antes de atribuir uma causa.

Os valores de IOF e tarifa são premissas do exemplo, não alíquotas, preços de mercado ou instruções de cálculo tributário. Se os encargos forem financiados, pagos separadamente ou incluídos de outra forma, a conferência deve seguir as condições efetivas da operação.

Confira quanto da parcela reduz o principal

No mesmo exemplo, o demonstrativo da primeira parcela informa R$ 10.000 de amortização e R$ 2.000 de juros. Sem outros encargos nessa parcela, o pagamento previsto é R$ 12.000. Após confirmar o débito, o principal contratual restante é R$ 100.000 menos R$ 10.000, igual a R$ 90.000. Subtrair os R$ 12.000 do principal produziria um saldo incorreto de R$ 88.000.

Os R$ 90.000 representam somente o principal contratual restante nas premissas adotadas. Esse número não é necessariamente a soma das parcelas futuras, o valor para quitação antecipada ou o valor contábil do passivo. Antes de comparar dois relatórios, confira o conceito do saldo e a data de referência.

Em cada pagamento, registre contrato, vencimento, data efetiva, principal amortizado, juros, outros encargos e documento de suporte. Em caso de atraso, desconto ou renegociação, peça a composição atualizada. Evite reaplicar a divisão da primeira parcela a todas as demais: a composição pode mudar ao longo do contrato.

Use o CET para conferir os componentes da contratação

O Custo Efetivo Total, ou CET, consolida encargos e despesas da operação nas condições consideradas no cálculo. A Resolução CMN 4.881/2020 inclui amortizações, juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas vinculadas. Nas operações abrangidas, a instituição deve informar o CET e seu demonstrativo antes da contratação; se houver contratação, o demonstrativo integra o contrato de forma destacada.

A regra alcança pessoas naturais, empresários individuais e pessoas jurídicas classificadas como microempresas ou empresas de pequeno porte nos termos da Lei Complementar 123. Há exclusões, como crédito rural e repasses de recursos externos. Portanto, não presuma que a mesma obrigação se aplica a qualquer empréstimo de qualquer empresa.

O CET ajuda a localizar custos que a taxa de juros isolada não descreve. Ele não substitui a composição de cada parcela. Para calculá-lo ou refazê-lo, são necessárias as datas e os fluxos completos. Os valores resumidos do exemplo deste artigo não bastam para calcular um CET.

Referência: Banco Central: Resolução CMN 4.881/2020, Custo Efetivo Total

Entregue a conciliação sem presumir o tratamento contábil

Separar os componentes no financeiro prepara a análise, mas não define quando cada custo deve afetar o resultado contábil. A classificação e o reconhecimento de juros, IOF e tarifas dependem da natureza dos valores, das condições contratuais e das normas aplicáveis à empresa.

Quando o CPC 48 é aplicável, por exemplo, determinados custos de transação e taxas de originação podem integrar a mensuração e a taxa efetiva de juros do instrumento. Por isso, lançar toda retenção como despesa imediata ou tratar todo desembolso como amortização pode distorcer os registros. Cabe ao contador avaliar o tratamento adequado ao caso e conciliar o saldo contábil com os controles auxiliares.

Envie uma memória simples: valor contratado, retenções na liberação, crédito líquido confirmado, parcelas pagas com sua composição e saldo informado pelo banco. Identifique as diferenças ainda sem explicação e anexe as respostas recebidas. Assim, a revisão pode voltar aos documentos que sustentam cada valor.

Referência: CPC 48: Instrumentos Financeiros, itens 5.1.1, B5.4.2 e B5.4.4

Leia também: Fluxo de caixa versus lucro: por que o dinheiro pode faltar

No fechamento, revise também o que mudou

Concilie a liberação e os pagamentos com as contas bancárias e confira a cobertura do período. Depois, verifique alterações contratuais, parcelas vencidas, períodos de carência e novos valores incorporados à dívida. Ausência de débito no extrato não confirma, por si só, que não houve encargos no período.

Se uma renegociação substituir o cronograma anterior, preserve o documento original e registre quando a mudança passou a valer. No fluxo de caixa, atualize os vencimentos futuros conforme o novo acordo, sem manter simultaneamente as mesmas obrigações no cronograma antigo. Na contabilidade, encaminhe os termos ao profissional responsável para avaliação dos efeitos da alteração.

Perguntas frequentes

Posso registrar apenas o valor líquido que entrou no banco?

O extrato confirma o crédito líquido, mas a conferência do empréstimo também precisa preservar o principal contratual e explicar as retenções. Reúna o demonstrativo de liberação para que o contador avalie todos os componentes.

Toda a parcela paga reduz o principal do empréstimo?

Não. A parcela pode reunir amortização, juros e outros encargos. A redução do principal deve seguir o componente de amortização indicado na composição da parcela e as condições efetivas do contrato.

O saldo do banco deve ser igual ao saldo contábil?

Os saldos precisam ser conciliados, mas podem representar bases diferentes. Confira data, encargos incluídos e se o relatório mostra principal restante, parcelas a vencer ou quitação. O contador deve explicar a relação com a mensuração contábil aplicável.

Fontes consultadas

Fontes utilizadas na elaboração deste artigo.

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